Reforma Tributária: quem ganha e quem perde na importação?

A Reforma Tributária não reduz a carga tributária de forma uniforme. Ela redistribui o peso dos tributos conforme o setor, o modelo de operação, a cadeia de fornecedores, o destino da mercadoria e a capacidade de aproveitamento de créditos.
Na prática, empresas que hoje sofrem com cumulatividade ou restrições de crédito podem ter melhora no custo tributário efetivo. Já operações que dependem de benefícios fiscais estaduais, tributação na origem ou regimes específicos precisam revisar seu modelo antes da transição avançar.
Para empresas importadoras, a pergunta principal não é apenas “quem ganha e quem perde com a Reforma Tributária?”. A pergunta mais útil é: quais operações da empresa ganham competitividade, quais perdem vantagem e o que precisa ser ajustado?
Quem pode ganhar com a Reforma Tributária?
Alguns perfis de empresa tendem a ter potencial de redução de custo tributário efetivo, especialmente quando conseguem aproveitar créditos de forma mais ampla.
Exportadores com cadeia produtiva tributada
As exportações seguem desoneradas. Com a lógica de CBS e IBS, os créditos acumulados ao longo da cadeia, inclusive os gerados em insumos importados, poderão ser ressarcidos conforme regulamentação específica. O efeito positivo depende das regras finais de ressarcimento e do fluxo operacional da empresa.
Empresas com cadeias produtivas longas
Cadeias com muitos insumos, serviços contratados, ativos imobilizados e etapas tributadas podem se beneficiar da não cumulatividade mais ampla. O ganho depende da conformidade documental da cadeia e da capacidade de aproveitar créditos sem gerar acúmulos difíceis de recuperar.
Tomadores de serviços B2B
No modelo atual, o ISS não gera crédito para o contratante. Com o IBS, serviços contratados tendem a gerar crédito na cadeia. Empresas que contratam logística, tecnologia, consultoria, armazenagem e outros serviços B2B devem revisar o impacto desses créditos no custo total.
Importadores de insumos para produção
Empresas que importam insumos para produção, industrialização ou revenda tributada podem ter aproveitamento mais amplo dos créditos de CBS e IBS. O impacto precisa ser calculado por NCM, destino, modalidade de importação e perfil fiscal da operação.
Quem pode perder vantagem com a Reforma Tributária?
O impacto negativo tende a aparecer em operações que dependem de vantagens fiscais estaduais ou de modelos estruturados com base na tributação de origem.
Empresas dependentes de benefícios fiscais estaduais
Regimes especiais de ICMS, diferimentos, créditos presumidos e isenções setoriais serão encerrados gradualmente durante a transição. Empresas que usam esses benefícios como parte central da margem precisam medir a dependência atual e criar um plano de adequação.
Importadores que estruturaram operações pela guerra dos portos
Com o IBS no destino, perde força a estratégia de escolher o estado de entrada apenas por vantagem tributária. A definição de porto, aeroporto ou centro de distribuição tende a depender mais de eficiência logística, prazo, armazenagem, custo operacional e proximidade do cliente final.
Setores com regimes monofásicos ou tratamentos específicos
Setores como combustíveis, autopeças e medicamentos possuem regras específicas no regime atual. Com a CBS e o IBS, esses modelos podem ser alterados conforme regulamentação setorial. Por isso, qualquer conclusão sobre ganho ou perda deve ser feita com cautela até a publicação das regras aplicáveis.
Fornecedores do Simples Nacional em cadeias B2B
Empresas do Simples que vendem para compradores no regime normal podem enfrentar questionamentos comerciais caso o crédito gerado seja inferior ao de fornecedores fora do Simples. O impacto depende da regulamentação e da política de compras de cada cadeia.
Por que a maioria das empresas está no meio?
Para a maior parte das empresas, a Reforma Tributária não gera um resultado único. Uma mesma companhia pode ganhar créditos em serviços contratados, perder um benefício estadual, mudar a formação de preço por destino e precisar rever contratos de importação ao mesmo tempo.
Por isso, a análise deve ser feita por operação, considerando:
- NCM e tratamento tributário do produto
- estado e município de destino da mercadoria
- modalidade de importação utilizada
- benefícios fiscais atuais
- volume de créditos aproveitáveis
- contratos com fornecedores, clientes e operadores
- impacto no preço final e na margem
O que empresas importadoras devem fazer agora?
Empresas que importam devem usar o período de transição para simular cenários e revisar sua estrutura operacional. A recomendação é priorizar operações de maior valor, maior recorrência ou maior dependência de benefícios fiscais.
- Mapear as principais operações de importação por produto, NCM e destino.
- Identificar quais operações dependem de benefícios estaduais.
- Simular o custo total com CBS e IBS.
- Revisar contratos com vigência durante a transição tributária.
- Avaliar se conta e ordem, encomenda ou outro modelo oferece melhor equilíbrio entre custo, crédito e risco.
- Atualizar sistemas fiscais, ERP, cadastros e regras de faturamento.
Como a WM Trading pode te apoiar
A WM Trading apoia empresas na análise operação por operação, considerando NCM, origem, destino, modalidade de importação, logística, créditos tributários e riscos fiscais. Esse diagnóstico permite entender onde a empresa pode ganhar competitividade, onde pode perder vantagem e quais ajustes devem ser planejados antes da implementação plena do novo modelo.

