Como fica o custo de importação após a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária muda a forma como empresas importadoras devem calcular o custo total de uma operação. A substituição de PIS/Cofins por CBS, a transição do ICMS para o IBS, a cobrança no destino e o novo modelo de creditamento tornam insuficiente uma simulação genérica de carga tributária.
Para importadores, a pergunta central é: quanto cada operação vai custar depois da Reforma Tributária?
A resposta depende de variáveis específicas: NCM, estado de destino, modalidade de importação, tipo de produto, regime fiscal, possibilidade de crédito e enquadramento em tratamentos específicos. Por isso, o caminho mais seguro é recalcular a operação item por item.
O que muda no custo de importação com a Reforma Tributária?
A Reforma Tributária reorganiza a tributação sobre o consumo no Brasil. O novo modelo substitui tributos atuais por CBS, IBS e Imposto Seletivo, em um sistema de IVA dual: a CBS em âmbito federal e o IBS em âmbito estadual e municipal.
Na importação, isso afeta principalmente quatro pontos:
- a composição dos tributos incidentes na entrada da mercadoria;
- a base de cálculo dos novos tributos;
- o critério de tributação pelo destino;
- o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia.
O impacto prático é que duas operações parecidas podem ter resultados diferentes se tiverem NCMs, destinos, modelos de venda ou cadeias de crédito distintas.
Como é formado o custo tributário atual na importação?
Antes de recalcular uma operação, a empresa precisa mapear a estrutura tributária atual.
| Componente | Como funciona hoje | Ponto de atenção |
|---|---|---|
| II | Imposto federal definido por NCM | Em regra, não gera crédito |
| IPI | Imposto federal com alíquota por produto | Pode gerar crédito conforme perfil da empresa |
| PIS/Cofins-Importação | Incidem na entrada da mercadoria | Serão substituídos pela CBS |
| ICMS-Importação | Imposto estadual, geralmente calculado “por dentro” | Será substituído gradualmente pelo IBS |
| AFRMM | Incide sobre frete marítimo internacional | Permanece relevante em operações marítimas |
Essa fotografia atual é necessária para comparar o custo antes e depois da transição.
Como a CBS afeta a importação?
A CBS substituirá PIS e Cofins, incluindo os tributos incidentes na importação. Ela faz parte do novo modelo de IVA federal e deve operar com lógica de não cumulatividade, permitindo crédito nas etapas seguintes da cadeia quando atendidos os requisitos aplicáveis.
Para empresas importadoras, três pontos precisam ser avaliados:
- qual será a base de cálculo aplicável à operação;
- como o valor pago na importação será aproveitado como crédito;
- se a empresa terá saída tributada suficiente para utilizar esse crédito.
A CBS não deve ser analisada apenas como alíquota. O efeito real aparece no fluxo de caixa, na formação de preço e na capacidade de compensar créditos.
Como o IBS muda a lógica do ICMS na importação?
O IBS substituirá gradualmente o ICMS e o ISS e seguirá uma lógica de tributação no destino. Na importação, isso tende a reduzir a relevância de estruturas baseadas apenas no estado de entrada da mercadoria.
Hoje, muitas operações consideram o ICMS do estado onde a importação é realizada. Com o novo modelo, o cálculo passa a depender do destino da mercadoria. Isso muda a análise de operações que usam portos, aeroportos ou estruturas estaduais principalmente por vantagem fiscal.
Um ponto técnico importante é a diferença entre cálculo “por dentro” e “por fora”. O ICMS atual costuma ser calculado por dentro, o que aumenta a alíquota efetiva. O IBS, por sua lógica de IVA, tende a operar sem incluir o próprio tributo na base, o que muda a comparação entre alíquotas nominais.
O Imposto Seletivo pode afetar importadores?
Sim, mas apenas em categorias específicas. O Imposto Seletivo foi criado para incidir sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, conforme regras da Reforma Tributária.
Para importadores, o ponto é verificar se o produto se enquadra em categoria sujeita ao IS. Quando aplicável, o imposto deve entrar na simulação do custo total da operação, junto com II, IPI, CBS, IBS, frete, armazenagem e demais custos operacionais.
Como recalcular o custo de importação operação por operação?
O cálculo deve seguir uma sequência prática, comparando o custo atual com os cenários do novo regime para identificar onde há aumento, redução ou mudança no fluxo de créditos.
Para isso, é importante contar com um time de especialistas para analisar NCM, estados de destino, carga tributária, logística e outros custos e recalcular os custos da operação de forma precisa.
Por que o recálculo não pode ser genérico?
O impacto da Reforma Tributária na importação varia porque cada operação combina produto, origem, destino, tributação, modalidade e cadeia de crédito.
Uma empresa pode ter aumento de custo em um produto e ganho de eficiência em outro. Pode perder uma vantagem estadual, mas ampliar o creditamento em serviços, insumos ou etapas posteriores. Pode ter crédito relevante, mas não conseguir aproveitá-lo no prazo necessário.
Por isso, simulações médias por setor ajudam na visão inicial, mas não substituem o cálculo operação por operação.
Como a WM Trading pode apoiar empresas importadoras?
A WM Trading apoia empresas na modelagem do custo real de importação, considerando NCM, origem, estado de destino, modalidade operacional, documentação, logística e aproveitamento de créditos.
No contexto da Reforma Tributária, esse trabalho ajuda a identificar:
- operações com risco de aumento de custo;
- operações que podem ganhar competitividade;
- mudanças necessárias em contrato e faturamento;
- impacto da escolha entre conta e ordem, encomenda ou importação direta;
- oportunidades de revisão logística e tributária;
- pontos que dependem de nova regulamentação ou validação fiscal.
O recálculo do custo de importação não é uma tarefa única. Durante a transição, ele deve ser atualizado conforme alíquotas, regras setoriais e procedimentos operacionais forem definidos.

